Acho que sempre estive em contato com
livros, meu pai era professor e posteriormente minha mãe também veio a se
tornar. Ambos eram professores de matemática. Considero o exemplo fundamental e
me recordo de ver meu pai envolto a livros, sempre estudando e isso não só
durante minha infância, era uma constante.
Uma das minhas brincadeiras favoritas era
ser professora e apesar de não pensar em me tornar uma, acabei me tornando. Meu
pai sempre procurava nos envolver (eu e meus irmãos) em atividades culturais,
frequentávamos o SESC, que sempre oferecia coisas interessantes para fazer ou
apreciar e, obviamente, a biblioteca era ótima! Nas feiras de livros,
promovidas pela escola, eu ficava fascinada, mesmo antes de aprender a ler, era
algo que me chamava atenção, minha vontade era adquirir todos!
Na fase de alfabetização eu tinha uma
enorme curiosidade e queria ler tudo o que via pela frente e quando escrevi
minha primeira frase por conta própria, senti uma enorme satisfação, uma
espécie de orgulho de mim mesma.
Minha mãe sempre nos dava gibis e quando
já havíamos lido todos, íamos a uma banca de gibis e livros usados e trocávamos
os nossos por outros. Com onze anos, mais ou menos, comecei a ler os livros da
coleção Vagalume e os li por bastante tempo, assim como vários colegas aqui no
fórum. Era uma leitura gostosa, fluída, com uma linguagem acessível e por isso
era tão lida pelos adolescentes.
Lembro-me, também, de ter lido “A Revolução
dos Bichos” de George Orwell pensando que fosse um livro de criança!!!
O primeiro livro que li, de literatura,
foi “Dom Casmurro” e gostei muito, em seguida li mais alguns do Machado. Todos
os livros de literatura que li, antes da faculdade, foram leituras despretensiosas,
pois eu ainda não fazia ideia da profundidade do universo literário e, por isso
mesmo, ao iniciar o curso de Letras, posso dizer que tomei um choque ao me
deparar com a infinidade de possibilidades que a literatura nos propõe. Pude sentir
estranhamento e catarse!
Por meio da internet passei a ler muita
coisa diferenciada, sempre leio blogs, de tudo que se possa imaginar, desde
maquiagem, culinária, tecnologia, até, claro, blogs literários. Alguns anos atrás criei meu próprio blog, a
princípio para dar minha opinião sobre determinados assuntos, me manter em
contato com pessoas de pensamentos diferentes, porém, ao me dar conta, estava
escrevendo poesias. Isso, pra mim, foi uma revelação, pois até então, não me
achava capaz de criar, não tinha o dom, e percebi o quanto é bom brincar com as
palavras, descobri que também é possível escrever a partir de uma boa motivação
e de muita força de vontade. Hoje, infelizmente, por conta da correria
cotidiana e falta de tempo pra me dedicar, não escrevo mais, mas sinto muita
falta do prazer de escrever e muito mais de ver a identificação das pessoas com
a minha escrita.
Professora Marília Bomfim
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